Quem compra um biômetro óptico faz sempre a mesma pergunta, e ela não é sobre preço: a medida é confiável a ponto de eu calcular a lente intraocular com ela? A resposta que interessa não vem do fabricante nem do distribuidor, vem de estudo independente, com método publicado e revisado por outros pesquisadores.
Em janeiro de 2025 a revista Eye and Vision, do grupo BMC, publicou um estudo que faz exatamente isso com o Colombo IOL, o biômetro óptico da MOPTIM distribuído pela Suplimed no Brasil. O trabalho comparou as medidas dele com as do IOLMaster 700, da Carl Zeiss Meditec, que é o aparelho que o mercado trata como referência.
Um detalhe que dá peso ao trabalho: entre os autores está Giacomo Savini, do Studio Oculistico d’Azeglio, em Bolonha, um dos nomes mais citados da literatura mundial em biometria ocular e cálculo de lente intraocular, com participação no desenvolvimento e na validação de fórmulas usadas todos os dias em centros cirúrgicos no mundo inteiro. Assina o estudo com ele Domenico Schiano-Lomoriello, também pesquisador italiano da área, ao lado da equipe da Universidade Fudan liderada por Jinhai Huang e Xingtao Zhou.
O que o estudo fez
Foram medidos 91 olhos de 91 participantes no Hospital de Olhos e Otorrinolaringologia da Universidade Fudan, em Xangai, com aprovação do comitê de ética da instituição. Cada olho foi medido três vezes por um operador, para avaliar a repetibilidade, e novamente por um segundo operador, para avaliar a reprodutibilidade. Depois, as medidas do Colombo IOL foram comparadas uma a uma com as do IOLMaster 700.
O que foi encontrado
A conclusão dos autores, na íntegra e traduzida: o novo biômetro Colombo IOL, baseado em tomografia de coerência óptica de domínio espectral, demonstra excelente repetibilidade e reprodutibilidade, e concorda bem, de modo geral, com o IOLMaster 700, baseado em varredura de fonte, com exceção das medidas de branco a branco e de diâmetro pupilar.
Traduzindo para a rotina do consultório: repetir a medida no mesmo paciente dá praticamente o mesmo resultado, trocar de operador também, e os parâmetros que alimentam o cálculo da lente ficaram dentro de faixas de concordância estreitas em relação ao aparelho de referência. As duas exceções apontadas pelos autores, branco a branco e diâmetro pupilar, são medidas que a maioria das fórmulas modernas de cálculo de lente não utiliza, embora sejam relevantes em situações específicas, como o dimensionamento de lentes fácicas.
Leia o estudo completo
Publicamos aqui apenas um resumo. O trabalho completo, com as tabelas de repetibilidade e os gráficos de concordância, está disponível para leitura e download, em inglês.
Referência: Li X, Lei CS, Ning R, Liu L, Chen A, Yang X, Savini G, Schiano-Lomoriello D, Zhou X, Huang J. Repeatability and reproducibility of a new spectral-domain optical coherence tomography biometer and agreement with swept-source optical coherence tomography based biometer. Eye and Vision. 2025;12:6.
Publicação original: https://doi.org/10.1186/s40662-024-00422-0
Licença: artigo de acesso aberto sob Creative Commons Attribution 4.0, que permite a reprodução com atribuição aos autores e à fonte. Nenhuma alteração foi feita no arquivo original.
Baixar o estudo completo em PDF (11 paginas, em ingles) ou ler na revista
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